Pura ironia Biutiful se chamar assim, o longa conta uma triste história de Uxbal, (Javier Bardem), um homem, a beira da morte, mas que tem ou teve uma vida difícil, pai de dois filhos luta para dar a ele uma vida, digamos, mais digna, separado de sua mulher, a qual sofre de transtorno bipolar. Em paralelo, outra realidade é exposta, Uxbal sobrevive, de certa forma, da exploração de trabalhos de imigrantes, senegaleses que vendem produtos falsificados nas praças, produtos produzidos por chineses, também imigrantes, que são explorados e vivem de forma desumana.

O diretor Iñarritu, com sua estética marginal, seus close ups, planos de detalhes riquíssimos que invadem a privacidade da personagem mostrando a fundo o drama delas, mais uma vez transpassa a dramaticidade humana, o longa é denso, um soco no estomago de quem vê, muitas cenas são incômodas, retratam de forma dura uma realidade muito ruim de ver.
Destaque para Bardem, que interpreta brilhantemente, Uxbal, ele se detém a uma riqueza de detalhe e cuidados, fazendo jus a sua indicação ao Oscar. As crianças também são brilhantes em seus papéis.

Tecnicamente, o filme é bem feito, a produção e direção de arte são cuidadosos, na concepção dos ambientes, apartamentos pequenos, sujos e com infiltrações sem contar do ambiente hostil da fabrica dentre outros, a fotografia escura meio acinzentada, e a trilha sonora criam uma atmosfera triste e depressiva.

Eu classificaria esse filme como filme de arte, não é filme para os grandes públicos,é um filme que é pra se pensar, e não para divertir. Pra quem é fã desse tipo de filme, vale a pena!
Assista o trailer!